SECRETARIADO DIOCESANO DA PASTORAL FAMILIAR

DIOCESE DO PORTO

SECRETARIADO DIOCESANO DA PASTORAL FAMILIAR

DIOCESE DO PORTO

InícioOrganizaçãoPlano de AcçãoActividadesDia DiocesanoJornada DiocesanaMovimentosHistórico
 

                     

(Segundo o novo acordo ortográfico)


 

A ORAÇÃO QUE AGRADA A DEUS


 

Esquema:


 

  1. Introdução

  2. A oração que agrada a Deus

  3. A oração pessoal

  4. A oração comunitária

  5. Os grandes Orantes da Bíblia, de Abraão à Comunidade primitiva

  6. A oração de Maria

  7. A oração de Jesus

  8. A oração da Igreja

  9. A nossa oração a sós, em família, em presbitério, na comunidade paroquial ou em grupo e movimento


 

A ORAÇÃO QUE AGRADA A DEUS.


 

Quando orardes, dizei: Pai-nosso que estais nos céus… (Lucas 11, 2)


 

Preâmbulo:

Falar de oração, no meio da crise social que vivemos, pode parecer EVASÃO do real.

Mas não é! A oração que converte o coração é a forma de inverter o caminho em que vai a nação.

Não se pode falar de oração sem se ter experimentado. Vale mais experimentá-la do que falar dela.

Os ateus dirão: alheamento do mundo.

Os ativistas dirão: pura perda de tempo.

Os piedosos dirão: Eu rezo o terço, todos os dias.

Os contemplativos: rezarão, guardando o silêncio!


 

Concluímos então as reflexões quaresmais de preparação para a Páscoa de 2011, sobre a esmola, o jejum e a oração.


 

Há três coisas pelas quais se confirma a fé, se fortalece a devoção e se mantém a virtude: a oração, o jejum e a misericórdia. O que pede a oração alcança-o o jejum e recebe-o a misericórdia. O jejum é a alma da oração e a misericórdia é a vida do jejum.

Quem deseja ser atendido nas suas orações atenda às súplicas de quem lhe pede. Quem jejua seja sensível à fome dos outros (S. Pedro Crisólogo, 2.ª leitura de 3.ª feira da 3.ª semana da Quaresma).


 

Aqui estamos então, para refletir sobre a última destas três recomendações da Igreja: A ORAÇÃO.

Será a última ou deve ser a primeira?


 

Os Atos dos Apóstolos atestam que, enquanto Pedro estava na prisão, fazia-se incessantemente oração a Deus, por parte da Igreja, em favor dele (Atos 12, 5).


 

Temos hoje mais do que motivos para manter esta assiduidade à oração por parte da Comunidade eclesial. Só não sei se estamos verdadeiramente conscientes disso. E se estamos disponíveis para um tal exercício espiritual.

Mas temos de estar. Parece coisa de frades, padres e freiras ou então um ato de devoção pessoal e opcional. Mas são as Comunidades e os indivíduos que precisam de orar assiduamente.


 

O concílio Vaticano II fala da Igreja como “Povo sacerdotal”. E uma das formas do exercício do sacerdócio batismal é exatamente oferecer sacrifícios espirituais agradáveis ao Senhor:

Cristo fez do Novo Povo um “reino sacerdotal para Deus, seu Pai…Os batizados são consagrados para serem casa espiritual, sacerdócio santo, para que por meio de todas as obras próprias do cristão ofereçam oblações espirituais e anunciem os louvores daquele que das trevas os chamou à sua admirável luz…Ofereçam-se pois a si mesmos como hóstias vivas, santas, agradáveis a Deus (LG, 10).


 

Orar não é um ato externo, mas OFERTADE SI mesmo.

Tertuliano diz que a oração é o sacrifício espiritual que aboliu os sacrifícios antigos… Só a oração vence a Deus (Tertuliano, século III – in 2.ª leitura de quinta-feira da 3.ª semana da Quaresma).


 

QUAL É A ORAÇÃO QUE AGRADA A DEUS?


 

Qual é a esmola que agrada a Deus? Aquela que procede da Caridade, primeiro fruto do Espírito.

Qual é o jejum que agrada a Deus? Aquele que não se fica por ritos ou práticas mas desce ao coração e muda a relação com o pobre e o faminto.

Qual é a oração que agrada a Deus? É aquela que contempla Deus mas tem repercussão na vida.

É certamente a oração do publicano: Tem piedade de mim, Senhor, que sou um homem pecador.

Ou a do bom ladrão na cruz: Lembra-te de mim, quando vieres no teu Reino.

Ou ainda a daquela voz que gritava de longe: Jesus, Filho de David, tem piedade de mim!

Ou finalmente, e melhor que todas, aquela oração que Jesus ensinou: Pai-nosso que estais nos céus…, com os sete pedidos de S. Mateus ou os cinco de S. Lucas: Santificado seja o teu Nome, venha o teu reino, faça-se a tua vontade, dá-nos o pão de cada dia, perdoa as nossas ofensas, não nos deixes cair em tentação e livra-nos do maligno!


 

A ORAÇÃO DEVE SER PESSOAL


 

“De acordo com a etimologia, ORAR é falar com Deus” (Enciclopédia, D. M. Falcão).

A oração que agrada a Deus é, com certeza, a oração individual, feita a sós no quarto, portas fechadas (Mateus 6, 6); é necessária e recomendável e não deixa nunca de ser a oração de um membro da Igreja, por Cristo no Espírito Santo (Humanística e teologia, Dezembro 2010, pg. 51).


 

Um poeta brasileiro escreveu assim:

Se eu quiser falar com Deus/ Tenho que ficar a sós/ Tenho que apagar a luz/ Tenho que calar a voz/ Tenho que encontrar a paz. Tenho que folgar os nós dos sapatos, da gravata, dos desejos, dos receios…

Se eu quiser falar com Deus. (Gilberto Gil)


 

Estas recomendações do poeta são profundamente evangélicas.

Tenho que ficar a sós Foi o que escreveu S. Mateus. Quando orardes, não sejais como os hipócritas, porque eles gostam de fazer oração pondo-se de pé nas sinagogas e nas esquinas, a fim de serem vistos pelos homens…. Tu, porém, quando orares, entra no teu quarto e, fechando a porta, ora a teu Pai que está lá no segredo (Mateus 6, 5-6).


 

Tenho que calar a voz, apagar a luz, encontrar a paz… Não se afastou Jesus para o deserto, quando quis fazer oração contínua, para preparar a grande missão de anunciar um Novo Reino?

A Igreja em Portugal foi desafiada a responder a duas questões de suma importância:

1. Igreja em Portugal, que vês na noite da sociedade em que vives?

2. Igreja em Portugal, que indicações ou rumores do Espírito encontras hoje em ti, a apontar-te o estilo de vida cristã e a nova maneira de “ser Igreja”?


 

Estamos na noite.

Temos de ver com a candeia da fé e descobrir o estilo de vida, que não pode ser outro senão o de Cristo.


 

Na primeira Quaresma da história, Jesus foi ao deserto. Nunca acabaremos de compreender o mistério do deserto. A chave de leitura da Quaresma e de toda a vida cristã não se encontra sem a experiência do deserto. Temos de ir ao deserto com Cristo, auscultar o silêncio e ouvir os rumores do Espírito de Deus que fala no sossego da paz interior.

Aí eu posso, nós podemos FALAR com DEUS…


 

Bento XVI explica da seguinte maneira:

O deserto é o lugar do silêncio, da solidão, do afastamento das vicissitudes quotidianas, do barulho e da superficialidade. O deserto é o lugar do ABSOLUTO, o lugar da liberdade que põe o homem diante das últimas questões…As grandes coisas começam no deserto, no silêncio, na pobreza. Não se pode participar na missão de Jesus, sem participação na experiência do deserto, na sua pobreza, na sua fome (Síntese, n.º 207, pg 13).


 

Encontrar-se com o Absoluto…, fugir à superficialidade…

Estamos em tempos de muito barulho dentro e à volta de nós. É preciso silenciar a voz, as luzes dispersivas, as vicissitudes do dia a dia. Não é fácil. Mas é preciso, para o encontro como Absoluto.


 

O silêncio!

Os nossos sentidos espirituais abrem-se e maturam melhor no silêncio (Tolentino – O tesouro escondido, pg 12).

O silêncio das catedrais! Agora já não há, por causa do turismo…

O silencio das Igrejas! Agora já não há, por causa de se ter perdido o respeito pelo SS. Sacramento…

O silêncio das salas de estudo nas escolas! Agora já não há, por causa da acumulação de alunos…

O silêncio das nossas casas! Agora já não há, por causa das televisões e falta de tempo…


 

Cultivar o SILÊNCIO!

Nos primeiros séculos, fugia-se do mundo para não se deixar contaminar. Agora, que não devemos fugir do mundo, urge criar espaços, tempos longos, oásis de silêncio na vida para encontrar o Absoluto.

Deixai-me limpo o ar dos quartos

E liso o branco das paredes

Deixai-me com as coisas fundadas no silêncio! (Sophia de Mello - Tolentino, 11)).


 

Mas atenção! Porque o ABSOLUTO que buscamos não é o Deus forte que imaginamos, mesmo quando o proclamamos Todo-poderoso no CREDO. Temos dificuldade em admitir um Deus humilde, simples, acessível e não foi outra coisa que Jesus veio revelar-nos. Nasceu pequenino, numa cabana. Disse que o Filho do Homem não tinha onde reclinar a cabeça. S. Paulo escreveu, para explicar, que nós pregamos um Messias crucificado, escândalo para os judeus e loucura para os gentios (1.ª Coríntios 1, 23).

O nosso Deus é um Deus fraco, não obriga ninguém, bate suavemente à porta até que ela se abra. É a grande lição do Livro de Jonas que fugiu de Nínive, porque sabia que Deus era um fraco e acusou-o frontalmente:

Eu sabia que tu és um Deus fraco, que estás sempre pronto a perdoar. Fazem tudo o que querem e depois basta um olhar, uma atitude e tu perdoas tudo (cf. Jonas 4, 2).


 

Que respondeu Deus a Jonas?

Tu tens pena de um rícino que não te custou trabalho e que não fizeste crescer e eu não terei pena da grande cidade que tem mais de cento e vinte mil homens…? (ibidem 4, 10-11).

Assim nós, assim a Igreja de Jesus não pode pedir a Deus a força das armas, tem de orar na humildade de quem se faz servo da humanidade, coisa nada fácil para a fragilidade de cada um de nós.


 

Na oração temos de buscar um Deus que nos faça servidores da humanidade e das nossas comunidades eclesiais. As vestes, os ritos, os barulhos, os primeiros lugares não são bom sintoma para curar uma sociedade doente do egoísmo, do individualismo, do culto das coisas materiais. Não podeis servir a Deus e ao dinheiro. Temos de ir ao deserto e ficar lá tempo suficiente, até sentirmos fome e sede do Deus vivo.

Se quisermos falar com Deus…


 

S. João Crisóstomo escreve sobre a oração:

Se queres ver restaurada em ti aquela morada que Deus edificou no primeiro homem, adorna a tua casa com a modéstia e a humildade, … com a luz da justiça, enfeita-a com o ouro das boas obras; em lugar das paredes, põe a fé e a grandeza de ânimo; e, por cima de tudo, como cúpula e coroamento de todo o edifício, COLOCA A ORAÇÃO! (Breviário, Quaresma, pg 72).

 

A ORAÇÃO DEVE SER COMUNITÁRIA


 

A oração que agrada a Deus é também a oração comunitária que tem uma dignidade especial, baseada nas palavras de Cristo: Onde estiverem dois ou três reunidos em meu nome, Eu estou no meio deles (Mateus 18, 20).

Apesar de o Deus de Israel parecer um Deus distante, ameaçador e castigador, já o Velho Testamento perguntava: Qual é na verdade a grande nação que tem a divindade tão perto de si como está perto de nós o Senhor, nosso Deus? (Deuteronómio 4, 5)


 

O aspeto comunitário da oração há-de considerar-se sempre como um elemento que faz parte da mais íntima essência da própria Igreja.

O sujeito integral da celebração é portanto a comunidade cristã, povo sacerdotal em virtude do batismo, lugar privilegiado da presença do Senhor ressuscitado. Às vezes chega-se mesmo a conceber a forma ritual, que tem sempre um caráter de ação, como se se tratasse de um obstáculo para uma experiência pessoal autêntica, sempre mais reconduzida e reduzida à interioridade. (Humanística e Teologia, Dezembro 2010, pg. 53).


 

Vem a propósito alertar para certas maneiras de celebração da liturgia, com elementos que empobrecem algumas das nossas celebrações. É o que concretiza o atual Cardeal Patriarca de Lisboa, da seguinte forma:

proclamação da palavra de Deus; demasiados discursos durante a celebração; abundância de palavra humana que ofusca a palavra de Deus, incluindo a própria homilia; má qualidade e falta de mensagem religiosa dos cânticos; ausência quase total de silêncios; exagero de gestos simbólicos, por exemplo em certos ofertórios; introdução de textos profanos durante a ação litúrgica (Humanística, 50).


 

Tudo isto é muito claro. Só acrescento duas palavras sobre a homilia. Deve ser sucinta e não pode substituir a PALAVRA, só aplicá-la ao tempo. Temos uma grande tentação: ouvimos a Palavra e ficamos à espera do que diz o Padre ou o Bispo ou o Papa. Embora saibamos que é importante a palavra do Magistério.


 

Vamos à celebração em busca de “novidades”? Que há de mais novo do que a Palavra de Deus que é sempre nova? Ela é sempre uma Boa Nova. Se, porém, a Palavra na celebração for bem proclamada, de poucos acrescentos necessita. Do que precisa é de silêncio. Mas infelizmente, a seguir à homilia levantamo-nos logo para recitar o Credo.


 

Recordemos brevemente


 

OS GRANDES ORANTES DA BÍBLIA


 

Segundo a etimologia da palavra, a ORAÇÃO bíblica pertence, em primeiro lugar, às relações entre os homens e à vida quotidiana: falar, gritar, pedir, suplicar, pedir ajuda, louvar, agradecer, buscar. Não está exclusivamente ligada aos ritos, brota da vida e abarca o arco de todas as manifestações da vida (Dicionário de teologia bíblica, 1328).


 

1. O primeiro grande exemplo de oração na Bíblia é Abraão. Dirigiu-se a Deus em várias circunstâncias, mas nomeadamente quando se tratou de Sodoma e Gomorra, cidades condenadas ao desaparecimento, dada a imoralidade que aí se vivia. Abraão rezou assim: Atrevo-me a falar uma vez mais ao meu Senhor, eu que sou pó e cinza… (Génesis 18, 23-32). Abraão é um homem vivo, de frente para um Deus vivo e verdadeiro.


 

2. Outra figura de Orante é Moisés. Ele é o grande Mediador ente Deus e o seu Povo. São as suas mãos alçadas que obtêm vitória contra Amalec.

3. Também Jeremias teve necessidade de clamar…

Encontra-se com Deus no monte Horeb. Jeremias fugia da rainha Jezabel, sentiu-se abandonado por todos e gritou: Já basta, Senhor! Tira-me a vida. Estou só e procuram-me para me matar (1.º Reis 19, 4.10.14).

4. O coração da rainha Ester, em hora grave do seu povo exilado na Babilónia e em vésperas de ser exterminado, levou-a voltar-se para o seu Deus. Em lugar de perfumes, vestiu-se com roupas de aflição e cobriu a cabeça com cinzas e poeira.

E disse:

Ó meu Senhor, nosso rei, tu és o Único!

Vem em meu auxílio, pois estou só…

Aprendi desde a infância no seio de minha família, que foste tu, Senhor, que escolheste Israel entre todos os povos…

E como pecámos contra ti, nos entregaste nas mãos de nossos inimigos….

Não abandones o teu cetro, Senhor. Recorda-te, Senhor, manifesta-te no dia da tribulação! A mim, dá-me coragem… A nós salva-nos com a tua mão… etc. (Ester 4, 17k.17l.17m.17q,17r,17t).


 

5. Os Salmos


 

Na oração do Povo de Deus do Velho Testamento e ainda hoje da Igreja, têm lugar de relevo os SALMOS.

O Saltério é uma coleção de cânticos religiosos de Israel As festas de Iaweh eram celebradas com danças e coros. Os sacrifícios eram acompanhados de cânticos.


 

Muitos dos salmos trazem indicações musicais ou litúrgicas. Alguns eram recitados no recinto do templo.

Havia os “Cânticos das Subidas”, os salmos de peregrinação. Os salmos são hinos, salmos de sofrimento e Lamentações ou súplicas. E estas súplicas ora são súplicas coletivas ora súplicas individuais. Alguns são louvores dos reis.

Outros são chamados “salmos messiânicos”, porque - inicialmente referidos ao Rei,”Ungido” ou “Messias” de Iaweh, depois da queda da monarquia talvez com retoques e adições - alimentaram a ideia de um Messias individual, descendente de David, o último rei, que havia de trazer a salvação definitiva.

Era uma esperança viva entre os judeus nas vésperas do começo da nossa era. Os cristãos viram a realização desta esperança em Cristo a quem são aplicados vários salmos.


 

Os salmos contêm uma riqueza religiosa indiscutível. Foram citados por Jesus, por Maria, pelos Apóstolos e pelos primeiros mártires. A Igreja fez deles, sem alterações, a sua prece oficial. Sem alterações, mas com um enriquecimento considerável de sentido, o sentido da Nova Aliança. Terminam sempre com a doxologia Glória ao Pai, ao Filho e ao Espírito Santo. O Messias já veio, todas as nações são chamadas a louvá-lo (cf. Introdução aos salmos, Bíblia de Jerusalém, pg. 647-651).

O Saltério dos simples e pobres é o ROSÁRIO. Tem tantas invocações a Maria quantos os salmos, 150. E ainda se juntam o Pai-nosso e a doxologia trinitária: Glória ao Pai...


 

6. A Oração de Maria.

Como rezava nossa Senhora? No silêncio da contemplação. Assim foi apanhada pelo Anjo. Poucas são as palavras que lhe conhecemos.

Como será Isso? – Perguntou ao Anjo. E logo: faça-se em mim… E foi visitar Isabel.

No templo: Filho, porque procedeste assim? E logo se retirou para Nazaré.

Em Caná: Não têm vinho! E logo: Fazei o que Ele vos disser.

E em Fátima: Rezai muito! Rezai o terço todos os dias!


 

7. Não podemos deixar de falar da oração de Jesus.

Rezava a sós e longamente, pela noite fora. Antes dos sinais que realizava, dirigia-se ao Pai. Na última Ceia, fez uma longa oração sacerdotal. Erguendo os olhos ao céu, assim falou Jesus: PAI, CHEGOU A HORA. GLORIFICA O TEU FILHO, PARA QUE O TEU FILHO TE GLORIFIQUE…

No Jardim de Getsémani, antes de ser entregue, fez uma oração a sós, tão angustiada que suou sangue. Nem os Apóstolos conseguiram acompanhá-lo nesse momento, apesar do pedido que lhes foi feito: Ficai aqui e vigiai comigo!


 

A ORAÇÃO DA IGREJA


 

Uma vez, os discípulos que viram Jesus em oração, tiveram sede de saber como era o seu colóquio com o Pai e pediram-lhe: Ensina-nos a rezar, como João Batista ensinou os seus discípulos. A resposta foi: Quando orardes dizei: Pai-nosso que estais no céu…

Foi essa a única fórmula que o Senhor deixou à sua Igreja e que a faz mergulhar nesse clima de colóquio com Deus Pai.

Dizem os Actos dos Apóstolos que os cristãos da Igreja primitiva eram assíduos às orações (Actos 2, 42). Eram orações em comum presididas pelos Apóstolos. Há um exemplo concreto dessa oração da comunidade, depois que os Apóstolos Pedro e João foram soltos do cárcere (4, 3):

Unânimes elevaram a voz a Deus, dizendo: Soberano senhor, foste tu que fizeste o céu, a terra, o mar e tudo o que neles existe… Agora, pois, Senhor, concede que os teus servos anunciem com toda a intrepidez tua palavra, enquanto estendes a mão para que se realizem curas, sinais e prodígios, pelo nome do teu santo servo Jesus (4, 24-25.29-30).


 

Pai-Nosso!

Como rezamos hoje? Como filhos de Deus?

Com certeza que se reza nos conventos, nas paróquias, nos grupos e movimentos… Mas é uma oração apostólica? É oração que conduz à vida ou fica-se entre as colunas do templo? É oração por causa dos meus males e dos meus pecados ou oração também missionária?

Santificado seja o vosso nome…Venha o vosso reino!

Que pão é que pedimos? Só o pão de trigo? Que perdão estamos dispostos a dar?

Perdoai as nossas ofensas assim como nós perdoamos…

Rezamos tantas vezes o Pai-Nosso! Mas como rezamos o Pai-nosso?


 

Como é bom viverem os irmãos em harmonia!

Quando dois ou três estiverem reunidos em meu Nome, aí estarei Eu no meio deles.


 

É bom saber que os Bispos rezam em comum!

É bom e edificante ver Padres a rezarem lado a lado!

É bom testemunho ver uma família que reza em sua casa, qual igreja doméstica, prestando o seu culto a Deus!

É proveitoso reunir a comunidade com muitas ou poucas pessoas e vê-las em adoração ao SS. Sacramento ou rezando e cantando os salmos, sobretudo em períodos litúrgicos importantes!

Como nos choca positivamente saber que há jovens que todos os meses fazem a oração de Taizé ou outra, por essas paróquias além!

Como é bom saber que as crianças aprendem com o pai e a mãe a rezar ao Pai do céu!


 

Como é edificante ver um Sacerdote ajoelhado diante do sacrário ou rezando a Liturgia das Horas pelos seus paroquianos! No silêncio da sua igreja!

Ou ver um fiel leigo recolhido a orar ao seu Deus, em serena contemplação!


 

Pai-Nosso que estais no Céus! Amém!

 

3ª Conferência Quaresmal proferida por D. João Miranda - Abril de 2011

 

 

Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar - Diocese do Porto

Rua Arcediago Van Zeller, 50     4050 - 621 PORTO

pastoralfamiliar@diocese-porto.pt