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Jornada Diocesana da Família

 
     

Porto, Casa Diocesana de Vilar, 4 de Fevereiro de 2012

Síntese da Jornada

 

A Jornada Diocesana da Família, que ocorreu no dia 4, na Casa Diocesana de Vilar, em parceria com o Secretariado da Juventude, esteve em sintomia com o grande objectivo pastoral que, este ano, o nosso Bispo colocou à reflexão da Diocese – “Família e Juventude, viver em comunhão, formar para a comunhão”.

 

 Oração inicial

 

Acorreram a este momento de formação, sob o tema “Família e Juventude em comunhão” cerca de 360 participantes, provenientes das 4 Regiões Pastorais, onde se incluíam perto de 80 jovens. É com muita alegria pastoral que sublinhamos e agradecemos o dinamismo das comunidades paroquiais e das estruturas dos dois Secretariados e dos Movimentos, cujo trabalho de divulgação e de motivação permitiu uma adesão para a qual a logística não estava preparada.

 

Os trabalhos tiveram a presença e a presidência de D. Pio Alves e abriram com a oração inicial que permitiu uma reflexão que abordou a radicalidade do ser humano recriado a partir da incarnação do verbo e da ressurreição de Cristo – novas criaturas, eleitos de Deus, santos e predilectos. Apontou a santidade como caminho e meta para cada um, para cada família, para cada jovem, a viver na comunhão de uns com os outros, onde as limitações humanas se manifestam, impondo-se o recurso ao saber estar, ao calar, ao esperar, ao compreender, ao deixar que a palavra do outro esteja à nossa frente. É no cadinho desta relação que o homem se encontra e reencontra com Deus, se realiza, se purifica, tornando-se luz e fermento junto dos outros, na família, na sociedade, que tem a missão de transformar.

 

A primeira exposição “Jovens e(em) família – Como estamos?”, a cargo de Isabel Dias e Sofia Cruz, Professoras Universitárias, Porto, contemplou uma análise à situação em que se encontram a família e a juventude, nas várias vertentes - económica, social, política, demográfica, trabalho, emprego, fecundidade, envelhecimento, formas de família, agregados familiares.

Tendo definido a família como espaço afectivo, de realização e de protecção, foi afirmado que a família é a instituição mais relevante na vida das pessoas e que, apesar das muitas mudanças de que tem sido alvo, a família e o casamento não perderam a sua importância.

 

1ª Exposição : "Jovens e(em) família - Como estamos?"

 

Foi referido o individualismo como factor desagregador da instituição familiar, na medida em que os interesses pessoais e individuais são colocados à frente da família e sublinhada a mudança que houve nos papéis da mulher, hoje absorvida pela trabalho, assumindo carreiras e percursos profissionais que absorvem tempo, pelo que as crianças são, bem cedo, entregues aos cuidados de outros, e vivendo, muitas delas, só com um dos pais.

 

Foram identificadas as dificuldades que enfrentam os jovens na transição para a vida adulta e autónoma, quer em relação à falta de trabalho, à necessidade de emigração, ao problema do rejuvenescimento da população, à necessidade de educação, à consciência de que um diploma não é um passaporte para o trabalho, ao crédito bancário, factores que levam à presença longa em casa dos pais, ao casamento tardio, com implicações muito sérias na fertilidade biológica.

 

A dignidade da pessoa humana no trabalho, que muitas vezes é posta em causa e a cultura do horário prolongado, são situações que criam constrangimentos à família, jovem ou não, e que podem acarretar consequências eventualmente desagregadoras.

 

Apesar destas mudanças, que geram elevadas taxas de re-casamentos e uma baixa enorme de fecundidade, a família, mesmo em mudança, tornou-se mais democrática, favorecendo as relações horizontais e os jovens não desistem da família, embora seja reduzido o número de filhos.

 

Coube a João Duque, Professor da UC, Braga, falar de “Jovens e(m) família – Como Deus quer!?” Partindo da leitura filosófica da realidade do quotidiano, que não pode ser esquecida, lembrou que há uma relação entre o que as coisas são e o que devem ser, isto é, há sempre duas leituras – a realista e a irrealista – não deixando de dizer que há algo que nos orienta para aquilo que devia ser mas que nos confronta com aquilo que pode ser.

Perceber o que deveria ser, o que Deus quer, implica um discernimento e reflexão permanentes, que têm lugar no ser Igreja, comunidade própria e específica que procura perceber o querer de Deus que é igual para todos – crentes e não crentes. E há até questões em que crentes e não crentes estão de acordo, como, por exemplo, a justiça.

2ª Exposição: "Jovens e(em) família - Como Deus quer  

 

É com base no desejo que construímos a vida, a nossa existência, pelo que é permanente esta tensão entre o que é e o que devia ser, donde a questão “como saberemos nós o que Deus quer?”

 

João Duque afirmou que o querer de Deus corresponde àquilo que Ele é, pelo que o nosso querer devia corresponder à nossa verdade. Do que sabemos de Deus, Ele é "Trindade – Pai, Filho e Espírito”. O querer de Deus está ligado à paternidade, à maternidade, à filiação, tendo criado o homem à sua imagem e semelhança. Esta relação entre Pai e Filho é uma relação representada na aliança, que o Antigo Testamento tão intensamente valorizou e celebrou. A relação entre o homem e a mulher evoca a relação entre Deus e o ser humano, entre o Pai e o Filho.

Em termos concretos, aquilo que devemos ser está representado no sacramento do matrimónio – família humana onde se vive a aliança, a filiação, a paternidade, a maternidade e a fraternidade. É aqui que se realiza a salvação. Sempre que não realizamos estas relações não estamos a fazer o que deve ser e damos lugar ao pecado. A família, espaço onde crescemos e aprendemos, concentra o tipo de relações humanas que Deus quer.

É na família que fazemos a aprendizagem da filiação (aceitar que o meu ser me foi dado gratuitamente), da fraternidade (aprender a crescer e a viver com o meu semelhante) e de que somos gerados para gerar no sentido mais amplo do termo. O ser humano é dado para viver em comunidade e existe para gerar, concluiu.

 

  Trabalhos de Grupo  

 

A parte da tarde “Jovens e(em) família – Como queremos nós?” contemplou a partilha dos 10 trabalhos de grupo, donde se destacou a necessidade de as famílias serem autênticas Igrejas domésticas, assumindo-se o casamento como vocação e missão, onde os laços afectivos tem um lugar privilegiado, a gestão dos bens deve ser de gastar menos para se viver melhor, as redes sociais serem um pretexto para diálogo de riscos e de riquezas e os conflitos serem assumidos de modo positivo, isto é, serem oportunidade de encontro e crescimento.

Foi referido que há algum receio por parte dos jovens em assumirem o compromisso do casamento e em vivê-lo pelo que lhes parece importante discernir sobre a intimidade, a paixão e o próprio compromisso.

 

Os testemunhos de dois casais evidenciaram, por um lado, o que é a vida de um casal cristão no seu contexto familiar, quer na transmissão dos valores, quer na iniciação dos filhos na comunidade eclesial e, por outro, a adaptação à família do outro, a busca equilibrada duma autonomia crescente e a humildade em aceitar a orientação dos mais velhos.

 

Testemunho:  - "Uma família jovem" Testemunho : - Jovens em família

 

Seguiu-se a entrevista a um casal e dois jovens – um momento verdadeiramente bem conseguido – em que cada um apontou o que mais lhe tocou e vai levar para a família, para o grupo, para a paróquia.

 

Entrevistas

 

 

Feitos os agradecimentos, o P. Bacelar fez uma breve síntese do dia e o P. Mendes encerrou com uma breve oração final.



O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar

 

 

 

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