SECRETARIADO DIOCESANO DA PASTORAL FAMILIAR

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ECOS DA JORNADA DIOCESANA DA FAMÍLIA

 

Fevereiro de 2015

 

ECOS DA JORNADA DIOCESANA DA FAMÍLIA



A Casa Diocesana de Vilar abriu as suas portas à Jornada Diocesana da Família que teve lugar no dia 7 de Fevereiro, tendo acorrido à mesma cerca de 200 pessoas vindas das 4 Regiões Pastorais da Diocese. Em termos vicariais, excluídos os membros do Secretariado, não houve participantes das Vigararias de Amarante, Felgueiras, Porto-Nascente e Santo Tirso.


O tema da Jornada “A alegria do Evangelho é a missão da família”, em natural sintomia com o lema da Diocese, deu a tónica à Jornada, que teve a presidência de D. Pio, Bispo que acompanha a Família.

 

A conferência “Deus sonhou a Família” esteve a cargo de Carlos Carneiro, sacerdote jesuíta; a Mesa Redonda, composta por Catequese, CPM (Centros de Preparação para o Matrimónio) e ENS (Equipas de Nossa Senhora), da Região Douro Sul e moderada pelo EM (Encontro Matrimonial) debruçou-se sobre “As dificuldades na transmissão da fé” nas respectivas áreas pastorais de acção; os testemunhos de catequeses familiares e intergeracionais foram apresentados por uma família de Cucujães e por uma catequista de adolescentes, com coordenação de Isabel Oliveira, Directora do Secretariado Diocesano da Catequese.

 

Com a oração inicial se deu início aos trabalhos, tendo D. Pio referido a conferência proferida por Fabrice Hadjadj, a quando do recente 2º encontro nacional da CNAL (Confederação Nacional do Apostolado dos Leigos), na cidade do Porto, “… para começar a sair da crise económica e antropológica actual seria necessário reencontrar, não só sentido de Deus e do espírito, mas também e sobretudo o sentido da família e da filiação, da paternidade e da maternidade…Mas reencontrar o sentido da família é reencontrar também a proximidade e a transmissão familiar…”

 

Continuou, afirmando que José e Maria não tiveram um filho escolhido, submisso, mas um filho por excelência, que lhes escapa, que é desconcertante. Também na nossa realidade familiar mais próxima encontramos divórcios, separações, caminhos divergentes e convencemo-nos que este somatório é a realidade total, mas, de facto faltam muitas outras parcelas. Evocou, ainda, a primeira leitura do domingo, do Livro de Job, que aponta para o desconsolo e falta de esperança, parecendo que tudo está mal.

 

 

A partir destes cenários disse que Maria e José assumem a sua maternidade e paternidade, cumprem os preceitos legais, mas estão atentos e abertos para descobrir e aprofundar os sinais de Deus. Não se podendo ignorar a realidade, não podemos ficar agarrados a ela. É preciso fazer o que está ao nosso alcance, deixando que Deus entre na nossa vida, nos transforme e sejamos capazes de encontrar sinais de esperança. Deus é fiel e faz caminho connosco.

 

O P. Carlos Carneiro, na sua longa exposição, começou por referir que Maria é Mãe de Deus e que é feliz porque acreditou. É esta atitude de crédito e débito que nos deve animar. Urge olhar para a família com esperança porque a família é uma experiência de fidelidade, de originalidade, de carisma, de identidade. A família é um espelho, ora nítido ora nublosa de Deus. De facto, muitas vezes não estivemos ao alcance do amor de Deus. Chegar a Deus é viver a relação de amor de Deus, o que implica assumirmos a própria vida interior de Deus. É a isso que somos chamados, é este o sonho de Deus para a família. A família só existe para ser no mundo um espaço de realização, expressando-se como sinal da vida interna de Deus.

 

O casamento continua a ser apetecível. Mas casar-se, contrariamente à corrente comum, pressupõe viver o Evangelho, assumindo uma realidade sacrificial. O amor é sempre o dar a vida pelo outro. O amor é muito mais que a relação – o património, a casa, o dinheiro, o corpo…O amor é essa fé que implica uma entrega feliz que não diminui, mas acrescenta. Ter o outro no nosso coração como Deus nos tem a nós. A família é sempre uma construção. Deus não só está vivo, mas é vida. Cristo casou-se com cada um de nós. É na oração que está o segredo para ouvirmos o coração de Deus. Deus espera, espera-nos continuadamente, não vira as costas. Não por favor, mas por amor nessa Sua paciência invejada porque ninguém está condenado ou perdido.

 

Os noivos, no dia do casamento, são baptizados no amor de Deus. O casamento não é, pois, uma circunstância social, mas sim um verdadeiro projecto espiritual do Senhor que nos permite prolongar o próprio reino, pelo que a igreja está na casa de cada um.

 

A família é um espaço que permite todos os filhos, mesmo aqueles que abandonaram a Igreja e a quem foi proporcionado pelos pais um caminho de vida cristã. Há que aceitar e viver esta realidade familiar, evitando injustas culpabilidades por descuido, falta de exigência e rigor, por acompanhamento deficitário. A semente foi lançada e um dia surgirá de novo.

 

Perante os divorciados, separados, recasados e outras situações a Igreja é chamada a acolher, como Mãe e Mestra, e a integrar, comprometendo-se na construção de um mundo novo, encontrando no Evangelho toda a força e energia para resolver os obstáculos. É preciso partir de Cristo, reflectir sobre as sombras e as dúvidas, de modo a chegarmos à verdade.

 

A família é chamada a viver o perdão, onde tudo rebenta e renasce, ancorando-se, também, nos sacramentos, tão pouco procurados. Importa reconhecermo-nos necessitados do perdão de Deus, eliminando a soberba e o orgulho que levam marido e mulher a viverem de costas voltadas.

 

Há pais que desistiram de ser pais e educadores, há países que fazem a apologia do divórcio fácil e onde nascem mais filhos fora do que dentro do casamento, há pais que não se deixam educar pelos filhos, há mulheres vítimas de violência física e afectiva, há natais que não o são porque não há família. Que fazer com todas estas situações? A Igreja, que somos todos nós, não pode viver à margem da sociedade, mas deve estar

atenta para tratar todas estas feridas com o vinho e o azeite da inclusão, através da oração e do discernimento, revestindo o homem de Cristo e encontrando para cada um o lugar próprio. Maria nos ajudará a fazer o que deve ser feito em cada momento numa atitude de verdadeira pedagogia de salvação.

 

A família deve revestir-se de uma certa disciplina espiritual, assente no seu papel fundamental de igreja doméstica, onde se partilha o pão, se administra o perdão, se repara a fidelidade conjugal, se educa para o gosto feliz da fidelidade e onde se reforça o compromisso. O matrimónio, como vocação livre e discernida, é itinerário de fé e um caminho de abertura à vida e à vida futura. A família é, sem dúvida, um lugar por excelência onde a fé se vive, se verbaliza, se concretiza. Tal como Maria e a Igreja, que anunciam Jesus, mostremo-Lo aos outros, sejamos comunicadores do Evangelho, seja o Evangelho a missão da família, disse.

 

No período de perguntas, o P. Carlos Carneiro respondeu que mais importante que preparar para o matrimónio era fundamental preparar para se viver casado com limites. Reconheceu o muito trabalho que é feito nesta área da pastoral, alertando que não podemos ficar estacionados, pois há sempre a possibilidade de fazer muito mais e melhor, adequando-nos às exigências de cada tempo, inclusivamente, perguntando aos que fizeram a preparação se a consideram oportuna e bastante.

 

Relativamente à questão do abandono da prática religiosa por parte de filhos, considerou que não nos devíamos culpabilizar injustamente, que há um trabalho feito que um dia virá ao de cima.

 

 

Após o intervalo, ressaltaram da Mesa Redonda, que se seguiu, 1) - a dificuldade da Catequese em sedimentar nas crianças a mensagem evangélica por falta de “húmus” familiar que cria descontinuidade na formação e no viver; 2) – a existência de um vazio entre o final da catequese e a intervenção do CPM, que não ajuda a este nem à inclusão em Movimentos da Família; 3) – a importância do investimento pastoral no acompanhamento dos casais novos.

 

À pergunta feita se a Catequese e os Movimentos se preocupavam mais com as aspectos sociológicos e antropológicos do que com o anúncio de um Deus que é Pai e de um Cristo que se deu por nós e por nós espera, a resposta foi positiva e justificada pela dificuldade de, no pouco tempo disponível, não se poder avançar para um caminho de fé.

 

 

Nos trabalhos de grupos, a seguir ao almoço, reflectiram-se as questões: 1) - A família é uma “circunstância social” ou um projecto de vida? O que precisa de ter uma família para ser um projecto feliz? 2) - Entre a família ideal e a realidade. Como podemos “salvar” e acolher a imagem de Jesus em todas as famílias?

As conclusões a que chegaram os vários grupos, convergentes na sua complementaridade, foram apresentadas em plenário, tendo enriquecido os trabalhos da manhã.

 

Os testemunhos das catequeses familiares e intergeracionais foram uma esplendorosa porta aberta, que permitiu ouvir e perceber como é possível uma família fazer catequese familiar, num processo que alimenta a relação conjugal e familiar e transmite, de modo natural e vivencial a fé como quem alimenta o corpo. Foi, ainda, importante olhar para o caminho percorrido por jovens e adolescentes, numa catequese intergeracional, que responsabiliza, cria laços e compromete.

 

 

É este o caminho que tem de ser assumido pela famílias – serem autênticas igrejas domésticas – tornando-se naquilo que Deus sonhou para a Família.

 

O P. Manuel Mendes, Assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, encerrou os trabalhos, recorrendo, também, à conferência, já evocada atrás, de Fabrice Hadjadj para relembrar que é preciso reencontrar, não só sentido de Deus, mas, também, o da família, reconhecer a superioridade da mesa familiar sobre o tablet, reaprender a encontrar-se à volta da lareira, a falar uns com os outros, a jogar em conjunto, a implicar os mais novos…A família é onde tudo começa e onde se joga o fundamental da nossa vida.

 

Com a oração pelas famílias nos despedimos, anunciando que a próxima actividade da Pastoral Familiar – Dia Diocesano da Família – terá lugar no dia 31 de Maio, em Santo Tirso.


O Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar

 

 

 

Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar - Diocese do Porto

Rua Arcediago Van Zeller, 50     4050 - 621 PORTO

pastoralfamiliar@diocese-porto.pt  

 

 

 

 

 

 

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