SECRETARIADO DIOCESANO DA PASTORAL FAMILIAR

DIOCESE DO PORTO

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ECOS DA JORNADA DIOCESANA DA FAMÍLIA


 

Foram cerca de 260 os participantes na Jornada Diocesana da Família que teve lugar, no dia 6 de Fevereiro de 2010 na Casa Diocesana de Vilar, vindos das 4 Regiões Pastorais e que contou com a colaboração do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional.

 

A oração da manhã, presidida por D. João Miranda, partiu da reflexão da Carta de S. Paulo aos Romanos 16, 3-5, vertida na carta que D. Manuel Clemente escreveu às famílias da Diocese, no Dia da Sagrada Família: “Saudai Prisca e Áquila, meus colaboradores em Cristo Jesus, pessoas que, pela minha vida, expuseram a sua cabeça. Não sou apenas eu a estar-lhes agradecido, mas todas as igrejas dos gentios. Saudai também a igreja que se reúne em casa deles”. D. João apelou à responsabilidade do casal como animador da igreja doméstica que deve estar ao serviço do amor e da transmissão da fé e, ainda, do papel fulcral do casal que é ser testemunha do amor de Deus.

Lembrou a “MISSÃO 2010 – Corresponsabilidade para a Nova Evangelização”, referindo que as fontes da alegria cristã são os sacramentos que alimentam a fé e nos motivam ao cumprimento do dever. O apelo à missão é feito a todos nós que, pelo baptismo, nos tornámos sacerdotes, profetas e reis. Cristo precisa da nossa acção, do nosso empenho, mas será sempre o Espírito que fará andar a Igreja, pelo que a oração é fundamental para encontrarmos Deus.

Seguiu-se a conferência do P. Carlos Carneiro, jesuíta, Mestre de noviços, que abordou o tema “Família, por vocação – vocações na família”. Começou por afirmar que as pessoas não decidem casar pela vocação ou pela inclinação, mas pelas oportunidades. As interrogações e as consequências surgem depois, no casamento, na via escolar e, até, na vida profissional. Quantos vivem contrariados por não terem escolhido o caminho certo!

Constata-se, hoje, disse, que não há pessoas que queiram casar, seja pela Igreja, seja pelo civil, o que leva a concluir que não há vocações para casar. Parece que a opção é viver só, mas não deixando de ter uma vida sexual activa. Mas porque é que o casamento não é apetecível, quando a Igreja tem a melhor proposta para todos os homens e mulheres de boa vontade - uma proposta credível, exigente e possível?

 

Aspecto da assistência

 

Temos de reconhecer que a vida se tem vindo a complicar e que os jovens, não rejeitando o modelo de família dos seus pais, não o aceitam para eles próprios. Não deixando de valorizar a família e a escola, consideram esses modelos desadequados às realidades que vivem. Ao longo dos séculos houve muitos modelos de família, todos eles com defeitos e imperfeições. A minha geração, disse, cresceu num modelo de família onde imperava a autoridade do Pai. O que o pai dissesse, estava dito. Este modelo é incompatível. A autoridade exige, hoje, um outro entendimento.

 

A falta de vocações para o casamento resulta da falta de liberdade. Não se tem vocação para o casamento porque não se tem vocação para a liberdade. O casamento assenta na liberdade e a liberdade compromete. Nós não queremos ser livres, ser adultos. Preferimos ser dependentes. Mas, se não formos livres, não poderemos estabelecer uma aliança de fidelidade. Sem liberdade e sem fidelidade não há, pois, vocação para o casamento.

 

Porque é que a fidelidade não apetece e nem sequer é considerada como um valor, quando, todos nós, exigimos uma garantia quando compramos o carro ou o televisor? Fizemos da fidelidade um papão, esquecendo-nos do modelo que é Jesus Cristo. Deus é fiel e nós temos de treinar a fidelidade para sabermos, de facto, o que ela é.

 

Continuando, referiu que ninguém casa no dia do casamento. O casamento não é um acto ou um gesto único, feito num dia. O dia do casamento é o primeiro dia em que se começa a casar. O casado casa-se todos os dias. O sacramento do matrimónio é o alimento do dia-a-dia dos casados.

Os noivos, disse, preparam o dia do casamento, mas não preparam o casamento. Casar implica dizer, em cada dia, cada vez com mais sentido e profundidade, eu quero-te, amo-te, compreendo-te, perdoo-te. É o sacramento do matrimónio que nos dá esta força porque não há amores-perfeitos. Amor perfeito só Deus.

 

O amor proposto pela Igreja, como disse atrás, é, pois, realista, credível e possível, mas precisamos de Deus para sermos fiéis. A vivência do sacramento do matrimónio é expressão do amor de Deus. Queremos encontrar Deus? Então vamos procurá-lo nos casais que se amam. Mas amar na saúde, na doença, na alegria e na tristeza todos os dias da nossa vida é impossível, sozinhos. Só com Deus. Mas Deus só nos convém quando dá jeito. É grande a nossa falta de humildade.

 

O casamento implica família, igreja doméstica. Será que quem nos conhece vê Deus no nosso amor? Que testemunho damos nós da nossa realidade conjugal, da nossa vocação matrimonial? O casamento não é obrigatório, não é a única via de realização pessoal. Ele tem de resultar de um discernimento consciente e responsável sobre caminhos diversos e de uma decisão livremente assumida para toda a vida.

 

A família constitui-se para servir o mundo, praticando a caridade dentro e fora de portas. A família existe não só para revelar o amor de Deus, mas cuidar do mundo com o amor de Deus. A vocação do casado é a vocação da missão, da abertura aos outros, do amor fecundo. Não nos podemos casar para nós. Mas poderemos perguntar: até quanto devemos amar? Até doer, disse Teresa de Calcutá.

 

Mas não há família que consiga sobreviver se não for capaz de rezar. A verdadeira família cristã, que até está nos Movimentos, não se pode dar ao luxo de não rezar ou de se limitar à missa dominical. Porque é que a nossa fé não é atractiva? Conhecem os vossos filhos a vossa relação com Deus? Será que os nossos filhos vêm em nós a alegria de sermos católicos, a alegria e o fascínio da prática de Deus? Quando Deus está comprometido com cada um de nós, em família, quando a nossa alegria é feliz e transbordante, então, sim, podem nascer vocações diversas – vocações saídas da liberdade e alicerçadas na fidelidade.

 

A vocação de Cristo foi transformar o mundo em Reino. Cada vocação é uma faceta de Deus pelo que não há vocações de primeira ou de segunda nem uma é mais cristã que a outra. Uma família cristã é uma família aberta a todo o tipo de vocações. A missão de cada um de nós é Cristo, ser outro Cristo, ser a incarnação de Deus no mundo de hoje - Cristo uns para os outros, uns com os outros, uns pelos outros. Como vou eu ser Cristo – caso-me, opto pelo sacerdócio ou pela vida religiosa, torno-me político? Para eu poder optar tenho, primeiramente, de conhecer Cristo. Como se consegue amar – a vocação é o amor – se não conhecemos Cristo?

 

Só a oração nos leva ao conhecimento de Cristo. A partir da oração eu serei capaz de escolher, eu serei capaz de amar. A família, pela oração, será una, santa, católica e apostólica. O casamento é um acto de fé – se queres, acredita. Então o sentimento transforma-se numa vontade, disse, ao finalizar.

 

Os trabalhos de grupo, que se seguiram, reflectiram as questões: “O que é que Deus pede a uma família cristã? Qual a missão da família cristã no mundo? Como educar para a liberdade a partir de Cristo?

Concluíram que Deus pede às famílias que sejam autênticas igrejas domésticas, onde a oração, a interpelação, o discernimento, a transmissão dos valores, a partilha e o acolhimento tenham lugar, de tal modo que as diversas vocações surjam de modo livre, consciente e responsável, o amor matrimonial seja a expressão do amor de Deus e a fecundidade do casal e da família se veja concretizada na missão activa na sociedade.

Um painel de testemunhos evidenciou, em três momentos,

o modo como desabrochou e foi acarinhada, reflectida e vai amadurecendo uma vocação tardia para o sacerdócio diocesano; a importância que um casal dá ao desenvolvimento vocacional dos filhos e de outros grupos de jovens que integram o Movimento Oásis; a forma como actua um grupo vocacional paroquial, envolvendo as famílias e os jovens na reflexão dos vários propostas vocacionais.

 

Painel de testemunhos

O P. Jorge Madureira, Director do Secretariado Diocesano da Pastoral Vocacional, que moderou este painel, apontou algumas pistas que podem ajudar na educação familiar, como a unidade na família, em casal e com os filhos, o que implica presença, escuta, compreensão e perdão; a capacidade da família responder à ânsia dos filhos, oferecendo-lhes modelos de vida; a preocupação em acompanhar os filhos e de os orientar nas suas escolhas; a importância de proporcionar aos jovens encontros com o sofrimento, na medida em que a vida só tem sentido quando nos damos; a promoção de um caminho de oração na família.

D. João Miranda encerrou os trabalhos com a oração da MISSÃO 2010, tendo dito antes que a oração é a chave de tudo. É pela oração que encontramos Deus, que discernimos o que Deus quer de cada um de nós, que escolhemos com liberdade, fidelidade e responsabilidade a nossa vocação, e que assumimos a missão de apresentar Cristo aos outros como nos foi proposto pelo Bispo Diocesano na MISSÃO que a Diocese está a viver, tendo Maria como nosso modelo, conscientes de que é o Espírito que tudo realiza.

 

 

 

Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar - Diocese do Porto

Rua Arcediago Van Zeller, 50     4050 - 621 PORTO

pastoralfamiliar@diocese-porto.pt  

 

 

 

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