SECRETARIADO DIOCESANO DA PASTORAL FAMILIAR

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D. António Francisco dos Santos

 

 

Homilia de Domingo de Ramos

Irmãos e irmãs

1. Com esta solene celebração do domingo de Ramos na Paixão do Senhor iniciamos a Semana Santa.

Não se trata de uma mera reconstituição da entrada de Jesus em Jerusalém mas sim de um ato solene e litúrgico pelo qual a Igreja inicia a Semana da celebração anual do mistério da nossa redenção.

Culmina nesta Semana Maior a caminhada quaresmal. A caminhada quaresmal é, no espírito da Igreja e no viver de cada comunidade, uma peregrinação interior de encontro com Deus e de serviço aos irmãos.

Hoje trazemos connosco os valores fundamentais que pastoralmente fomos descobrindo, refletindo e assimilando ao longo da Quaresma. Mas devemos igualmente trazer connosco as pessoas que fomos procurando, encontrando e servindo e as comunidades reconciliadas e renovadas que ajudamos a consolidar e a crescer na fé, na santidade, na caridade e no serviço aos mais pobres. Ninguém pode viver a Semana Santa sozinho ou deixar sós os seus vizinhos.

O nosso olhar, o nosso afeto e a nossa oração alargam-se a toda a comunidade diocesana e neste dia particularmente aos jovens que, nas suas paróquias celebram o Dia Mundial da Juventude, em comunhão com o Papa Francisco. Quero ir ao seu encontro a partir desta Catedral, significando-lhes a alegria, a comunhão e a esperança que a Igreja diocesana em todos coloca. A história de
uma comunidade é feita sempre de pessoas com nome e de gestos com sentido.

2. "Deus, meu Senhor, deu-me a graça e a missão de falar como um discípulo, para que eu saiba dizer uma palavra de alento e de esperança aos que andam abatidos. Todas as manhãs Ele desperta os meus ouvidos, para eu escutar como escutam os discípulos" (Is. 50, 4).

Esta palavra do profeta Isaías, diz-nos com a voz lúcida, de quem à distância dos séculos anuncia a Paixão do Senhor, que só de Deus nos vem a salvação, o ânimo, a liberdade e a esperança.

Humilhado e exaltado, como verdadeiro servo de Javé, Jesus assume, segundo a afirmação de S. Paulo na Carta aos Filipenses, "a sua condição de servo, prefigurado por Isaías, tornando-se semelhante aos homens." (Filip. 2, 6-11).

Este belo hino proclama e retoma a mais antiga confissão explícita na divindade de Cristo e abre-nos caminho à compreensão da vida de Jesus.

O texto do Evangelho fala-nos do mistério da Paixão e da Morte de Jesus. É um convite mais ao silêncio do que às palavras, mais à meditação do que ao comentário, mais à contemplação do que à explicação. Ele abre-nos o pórtico da Semana Santa e desperta-nos para todos os momentos a viver e para todos os mistérios a celebrar nesta Semana.

3. Tem lugar esta celebração do domingo de Ramos na Paixão do Senhor na Sé Catedral da nossa Cidade - igreja - mãe da Diocese - para daqui sermos enviados em missão pascal, que esta Semana anuncia, prepara e celebra.

É sempre no coração das cidades, como outrora em Jerusalém, e no íntimo da vida das pessoas que se vivem os sinais da salvação e se situam os acontecimentos que decidem a história da humanidade e o futuro dos povos.
Pertence-nos colocar o mistério pascal no coração da nossa cidade e na vida das pessoas, das famílias e das instituições que habitam a nossa diocese.

Esta tem sido a missão da Igreja ao longo da história da humanidade. Esta é a missão da Igreja e dos cristãos no Porto, para que, em Cristo Ressuscitado, haja vida nova e esperança renovada para todos. Avancemos neste caminho de alegria pascal que se faz caminho de esperança humana e de caridade cristã para todos quantos têm dificuldade em aclamar Jesus porque lhes falta a fé ou lhes escasseia o ânimo para celebrar a Páscoa com alegria e verdade.

Nos cânticos de alegria da entrada de Jesus em Jerusalém; nos gestos do lava-pés, no memorial da última ceia, no acolhimento do mandamento novo, no silêncio e na solidão do Jardim das Oliveiras, no auge da entrega de Jesus no Calvário e no êxtase do sepulcro encontrado vazio ao amanhecer do primeiro dia da semana vai-se delineando a textura sólida do milagre e do mistério da Páscoa que liberta, que redime e que salva toda a Humanidade, sem esquecer nem ignorar ninguém.

4.A Semana Santa ajuda-nos, ensina-nos e propõe-nos revisitar e reviver esse tempo e esse acontecimento maior da nossa fé, que é a Páscoa de Jesus Cristo feita Páscoa na vida das pessoas, das famílias, das comunidades e das  cidades.

Chegou a hora de dizermos ao mundo que nos rodeia a alegria da nossa fé e as razões da nossa esperança ao aclamarmos o Senhor Jesus na evocação da sua entrada em Jerusalém.

Queremos abrir as portas de par em par da nossa Diocese a Jesus Cristo, Filho de Deus.

Abertas as portas e as ruas das aldeias, vilas e cidades da nossa Diocese ao Filho de Deus, queremos, também, que estejam abertas, mais prolongadamente   nestes dias, as portas das nossas igrejas e o coração das famílias e das comunidades cristãs a uma participação assídua dos cristãos, nas diversas celebrações litúrgicas desta semana, sobretudo do Tríduo Pascal e a uma maior procura do sacramento da Reconciliação e da Eucaristia.

Só de alma livre, coração reconciliado e vida convertida seremos testemunhas dos acontecimentos de salvação que celebramos e mensageiros corajosos e felizes da Páscoa de Jesus.

Só assim poderemos contribuir para salvar, cuidar e transformar o mundo em ordem a uma sociedade justa, fraterna e envolvida da alegria pascal.

5.Imploro de Maria, Mãe de Jesus, Senhora da Assunção, Padroeira desta Catedral e da nossa Diocese, que nos ajude a viver santamente este tempo e os mistérios sagrados que nesta Semana Maior se celebram.


Igreja Catedral do Porto, 13 de abril de 2014


António, bispo do Porto


 

 

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