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Jornada Diocesana da Família

Porto, Casa Diocesana de Vilar, 5 de Fevereiro de 2011

 


 

A Casa Diocesana de Vilar acolheu, no dia 5 de Fevereiro, a realização da Jornada Diocesana da Família, a que compareceram cerca de 280 pessoas, pertencentes às estruturas da Pastoral Familiar, aos Movimentos, catequistas, professores de ERMC, vindas das 4 Regiões Pastorais da Diocese. Tratou-se de uma acção de formação transversal, assente no tema: “A Família educa? A (pro)vocação da sexualidade”.

 

  Início dos trabalhos - Reflexão Bíblica Aspecto geral da assembleia

Os trabalhos, presididos por D. João Miranda, abriram com uma reflexão bíblica baseada no 1º capítulo do Génesis: “Ele os criou homem e mulher, à imagem e semelhança de Deus”, tendo-os colocado no Éden, rodeados de tudo quanto lhes fazia falta. Deus olhou para toda a criação e “viu que a sua obra era muito boa”. E tudo correu bem entre o homem e a mulher até ao momento do pecado, de que o novo Adão, o Filho de Deus, nos veio resgatar.

      A abordagem do tema "Sexualidade: uma visão actual", pertenceu à Dra. Teresa Tomé Ribeiro que afirmou que vivemos um tempo de liberdade total, onde não se apregoam valores e falta o sentido e a vivência de uma unidade de vida, tudo isto debaixo de muitas pressões, quer económicas, quer políticas. O contexto de vida, hoje, disse, é fortemente sensual e erótico, o que permite que nos possamos afirmar pelo corpo que temos e por aquilo que podemos provocar no outro. O outro existe enquanto serve, agrada e satisfaz. Fora disto torna-se descartável.

Sendo a sexualidade uma dimensão que constrói a pessoa nas vertentes biológica, psicológica, afectiva, social e espiritual, ela encaminha-nos para a construção de um projecto de vida que dê sentido e resposta às interrogações do homem e da mulher.


      Porque a sexualidade é sempre relacional, esse projecto de vida pode ser a dois, pelo casamento, ou ter um âmbito mais universal, na vivência da virgindade ou do celibato.

 

A sexualidade é aquilo que, perante o outro, nos define como homem ou como mulher, e que se vai manifestando, integrando e vivendo nas várias etapas da vida, onde são diferentes as competências. É na puberdade que se desperta e descobre a sexualidade, que necessita de ser gerida, controlada, face à impaciência, à vitalidade do corpo e à dualidade do desejo.

"Sexualidade: uma visão actual"

por

Drª. Teresa Tomé Ribeiro

      Os valores que emergem da sexualidade passam pela relação da paridade, onde o masculino e o feminino, ainda que diferentes, devem estar ao mesmo nível, apontam para a importância da intimidade e para o vínculo definitivo do acto sexual, apelam ao respeito por si e pelo outro, sublinham a liberdade e a responsabilidade nas escolhas e evocam a fidelidade ao projecto de vida.

 

"A beleza e a bondade da Sexualidade"

por

Prof. dr. Jorge Cunha

        A sexualidade está, naturalmente, aberta à vida. Ter filhos é um dom, uma bênção que todos os pais desejam receber. Os filhos, não sendo o centro da nossa vida, estão no centro da nossa acção educadora no mundo. Educar comporta sempre um risco. Mas todo o pai e toda a mãe que amam verdadeiramente os seus filhos encontram em si a capacidade necessária para educar. Educar implica amar, parar, olhar com ternura, questionar, compreender, mas, por vezes, não concordar, saber gerir as necessidades, saber esperar, dialogar, esclarecer. Só assim teremos filhos verdadeiramente estruturados na sua sexualidade, amadurecidos, com autonomia, capazes de testemunhar valores, tonificando, saudavelmente, a sociedade de que fazemos parte, disse, a terminar a Dra. Teresa Tomé Ribeiro.

       O Prof. Jorge Cunha dissertou sobre "A beleza e a bondade da sexualidade", estabelecendo a relação entre o belo e o bom e entre o ético e o estético. Por aqui passaram considerações sobre os gestos de afecto ou de amor, a carícia, as formas de olhar, o Cânone e a norma. Afirmou que cada um constrói-se na sua personalidade masculina e feminina e que o amor é a primeira forma de justiça e o segredo da justiça. A sexualidade é toda a pessoa e de toda a vida e não de uma idade ou de uma parte do corpo. Reconheceu que o sexo precisa de ser regulado, que ser homem e ser mulher é uma tarefa nossa e que o masculino e o feminino são para a comunhão dentro da igualdade dos sexos.


          O trabalho de grupos incidiu sobre quatro questões relacionadas com “corpo, coração, cabeça e caminho”, identificando a visão que a sociedade tem sobre cada um destes componentes da sexualidade em confronto com o lugar que lhe damos, com a importância que lhe atribuímos e com a mensagem que deixamos passar.

Trabalho de grupo

Partilha das conclusões dos grupos

A partilha revelou que há excessiva valorização do corpo, falta de maturidade, banalização da palavra amor, corações que vão na onda sem pensar nas consequências, soluções fáceis de aborto, caminho sem regras, incapacidade dos pais para dar educação sexual aos filhos, abandono dos filhos à escola e ou catequese, falta de testemunhos de fidelidade e de felicidade, desfavorável meio envolvente, telenovelas que anunciam vidas fáceis e irresponsáveis.

 Sugeriram uma maior atenção por parte dos pais, a criação de espaços de diálogo em família, apelos à dignificação do corpo, valorização da fidelidade e da felicidade, respeito por si e pelo outro.

Painel I

"Família, Escola e Catequese"

     O primeiro painel – "Família, Escola e Catequese" – mostrou ao plenário como é possível a uma família atenta, que reza, dialoga e contrapõe, contribuir de modo decisivo para a formação integral dos filhos, fazendo deles pessoas honestas, equilibradas, harmoniosas, saudáveis e interventoras na sociedade.

A referência feita à disciplina de Educação Moral e Religiosa Católica foi a de que é uma aposta séria e aberta à educação da sexualidade, trabalho que só a Igreja é capaz de fazer. Porém, pelo facto de a disciplina não ser obrigatória e de a maioria dos pais católicos não inscrevem nelas os seus filhos, há dificuldade na sua implementação e desenvolvimento, obrigando, muitas vezes, ao recurso a turmas heterogéneas com os inconvenientes que tal decisão arrasta.

Relativamente á Catequese foi dito que muito há a fazer ao nível dos suportes documentais e da formação dos agentes da catequese, na medida em que o tema “Educação sexual” não é tratado e não há formação para os catequistas na área da sexualidade.

 

Num segundo painel, a Dra. Teresa Souto, psicóloga, abordou a importância do grupo e o seu papel desde a adolescência, evocando a descoberta do “eu” por comparação ao outro, o sentido da autonomia, a evolução social que passa, de pequenos grupos isolados unissexuais, aos grandes grupos heterossexuais, que, por sua vez, se desintegram na formação do casal que leva à estruturação de um projecto de vida.

O grupo, disse, contribui para o desenvolvimento do auto conceito, para a eficácia pessoal, para a maturidade e para a assertividade, porque a vida é feita de escolhas que implicam decisões, que têm a ver com pensamentos, sentimentos e comportamentos ligados entre si. Em cada decisão ganhamos sempre qualquer coisa, mas “hipotecamos” ou perdemos a oportunidade de fazer uma outra escolha. Escolher é preferir, é estremar, é optar.

 

Finalizou, afirmando que nos grupos construtivos há expressão de características individuais, promoção do diálogo e da partilha, respeito por si e pelo outro, reflexão sobre situações e comportamentos de “risco”, investimento na continuidade da construção do projecto de vida.

 

O jornalista Júlio Magalhães, da TVI, falou da sexualidade nos “media” e do poder fortíssimo que tem a televisão. Começou por dizer que as televisões vivem, diariamente, uma guerra de audiências, estudam o comportamento das pessoas e organizam a grelha dos programas em consonância com os interesses dos consumidores. As empresas actuam em função da rentabilidade dos capitais investidos, não tendo, por isso, objectivos absolutamente pedagógicos ou moralistas, muito embora haja regulamentação dura sobre muitas matérias.

       A sensualidade e a sexualidade estão patentes na televisão, desde a apresentação das locutoras, aos anúncios televisivos, aos filmes, às notícias, às telenovelas. Às famílias resta apenas uma coisa: não se deixarem comandar pela televisão, mas aprenderem a utilizar a televisão, sendo críticas e interventoras.

Painel II

A Importância do Grupo

A sexualidade nos media

A provocação


A palavra final de D. João Miranda

 

 D. João Miranda, ao deixar os trabalhos, referiu que a Igreja aponta aos cristãos um ideal que, nem sempre, é realizável e que, por isso mesmo, é compreensiva com todos os que caminham e perseguem esse ideal.


      Ficou a ideia de que muito há a fazer quanto à educação integral da pessoa humana, sendo os pais os primeiros responsáveis pela educação da sexualidade dos seus filhos, apoiando-se numa catequese que se deseja mais apta em pessoas e meios, aproveitando as potencialidades da disciplina de Educação Moral e Religião Católica, e inserindo os filhos em grupos construtivos de jovens que levem ao amadurecimento, ao sentido de responsabilidade e ao discernimento vocacional.

 

 

 

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