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Jornada Diocesana da Pastoral Familiar

Tema: "A Família e a nova evangelização"

 

 Teve lugar no dia 9, na Casa Diocesana de Vilar, a Jornada Diocesana da Pastoral Familiar com o tema “A família e a nova evangelização”, desdobrado em duas conferências – “Um olhar sobre a família” pelo Dr. Américo Mendes e “Desafios à família” por D. Manuel Clemente. Estiveram presentes cerca de 260 pessoas vindas das 7 Regiões pastorais.

 O Senhor D. João Miranda presidiu à abertura dos trabalhos e, nas suas intervenções, apelou ao envolvimento dos casais na pastoral familiar e à constituição de equipas paroquiais e vicariais como forma comunitária, estruturada e integrada, de reflectir e encontrar soluções para os problemas que afectam as famílias.

 

O Dr. Américo Mendes referiu que a família é o valor mais importante a salvaguardar e que muito dos problemas, com que as famílias se defrontam hoje, resultam de ter sido dado à família um lugar secundário, colocando o trabalho, o dinheiro ou o poder em primeiro lugar.

 

Não deixou de reconhecer que o espaço familiar não é um lugar idílico, pois tem como actores pessoas diferentes, portadoras de fragilidades, que, naturalmente, geram problemas e conflitos, situações que devem ser compensadas com o amor, o exemplo e a fé.

 

Considerou que a juventude tem trajectos de vida desequilibrados no que respeita à sua relação com o trabalho e o sacrifício. Na infância e adolescência não há exigências nem motivações para estas duas vertentes da vida humana. Deste modo os jovens, quando entram na vida activa, defrontam-se ou com trabalho a mais e sacrifício a mais ou com comportamentos de fuga ao trabalho e ao sacrifício.

 

São também evidentes os desequilíbrios dos jovens na sua relação com o amor ou vendo-o como paixão ou algo idílico, onde o sacrifício não tem lugar, ou desiludindo-se e enveredando pela sua desvalorização e substituição por outras ilusões como a sensualidade e o dinheiro.

 

Concluiu, dizendo que estes problemas trazem outros para o seio familiar e que é urgente que a família perceba e assuma que é a ela que cabe educar para o trabalho, o sacrifício e o amor.

 

Os participantes, divididos em grupos de trabalho, reflectiram e partilharam as suas vivências concretas sobre a “importância da família”, a “educação das crianças nas relações com o trabalho e os sacrifícios”, o “comportamento dos adolescentes face à autonomia” e a “relação entre o trabalho e a família” e propuseram linhas de mudança.

 

As sínteses evocaram que:

a)      há nas famílias um relativismo acentuado quanto aos valores, aliado à falta de oração e partilha, factores que relegam a família, como espaço vital da relação conjugal e familiar, para segundo plano, caminho aberto a desinteligências, sobrecargas e rupturas;

b)      há uma atitude generalizada de que não se pode traumatizar as crianças com sacrifícios, a que se juntam as compensações dos pais pelas suas ausências, a complacência dos avós, a incapacidade de dizer não, a não estimulação das crianças, comportamentos condescendentes que não ajudam a uma educação autêntica;

c)      os jovens dependem dos pais, em termos económicos, até muito tarde, circunstância que não favorece o sacrifício e a responsabilidade, que hão-de ser estruturantes da vida, alimentando tendências para o consumo, o lazer e sem preocupações de poupança;

d)      a família é, em muitas situações, vítima do trabalho, por falta, sobrecarga, regime ou incumprimento da lei, sendo notária a incapacidade de gerir o tempo entre o trabalho e a família e de fazer opções, porque é grande a tentação pelo ter em detrimento do ser.

 

Urge, por isso, dar à família o lugar que lhe é devido como berço do amor, da vida e da relação entre as pessoas e como célula fundamental da educação, tendo como ferramentas básicas o exemplo, a oração, a partilha, o diálogo, o respeito e a autenticidade.

 

D. Manuel Clemente, que ouviu parte desta partilha, começou por dizer que é às famílias, a cada família, especialistas nesta área, que cabe encontrar os caminhos de uma nova evangelização através da graça permanente do sacramento do matrimónio, não deixando de evocar a complementaridade entre os ministros ordenados e os leigos.

 

Depois de afirmar que a família resulta da comunhão íntima de vida e de amor entre um homem e uma mulher, comunidade aberta à vida, referiu que a nova evangelização é uma tarefa urgente, que talvez não exija fazer muito mais, mas, decerto, fazer melhor, com mais ardor e utilizando novos métodos e novas expressões.

 

A primeira evangelização começou na família, em Nazaré, disse D. Manuel, – Jesus cresceu em família – e não deixando de se ocupar das coisas de seu Pai, era submisso a Maria e a José. Tudo isto aconteceu desta forma porque Deus é família, na relação entre o Pai, o Filho e o Espírito Santo e é esta familiaridade divina que salva e realiza a familiaridade humana.

 

Ao evocar o casamento como algo de natural em ordem à protecção da espécie, frisou que a vinda de Jesus não aconteceu para contrariar a humanidade mas para a salvar - a realidade do casamento foi tomada pela realidade divina, porque Cristo ama de uma maneira una, indissolúvel e fecunda.

 

Por tudo isto, continuou, a família é objectivo primeiro da evangelização e da pastoral. As pessoas devem ser olhadas na sua dimensão familiar e, por isso, a evangelização é familiar. Mas, sendo a família objectivo da evangelização, é também sujeito da nova evangelização. É por isso, concluiu, que é fundamental a participação dos casais.

 

A Jornada terminou com a oração de vésperas que iluminou e fortaleceu o compromisso interior a que todos se sentiram chamados – valorizar e defender os valores da família onde estivermos e com que quem estivermos.

  

 

 

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