ECOS DA JORNADA DIOCESANA
DA PASTORAL FAMILIAR
Fevereiro de 2013

A Casa
Diocesana de Vilar acolheu a Jornada Diocesana da Pastoral Familiar, que
teve lugar no dia 2 de Fevereiro de 2013, e à qual acorreram cerca de
260 pessoas vindas das quatro Regiões Pastorais.
Tendo em vista uma maior comunhão diocesana e o
aproveitamento de sinergias, o Secretariado Diocesano da Pastoral
Familiar tem vindo a fazer parcerias com outros Secretariados para a
realização desta Jornada. Este ano – Ano da Fé – e também ano de crise,
fê-lo com o Secretariado Diocesano da Pastoral Social e Caritativa,
tendo como tema de fundo: “Fé e Caridade na
Família”.
D. Manuel Clemente, depois da oração inicial,
reflectiu sobre “A Fé – Fundamento da
Caridade”. Começou por afirmar que a fé
cristã não é um sentimento generalizado nem uma teoria mas uma relação
pessoal e íntima com a pessoa de Jesus Cristo.
Ser
cristão, disse, é perceber que, quando situados perante a leitura e
reflexão de um texto bíblico, essa Palavra tem a ver com cada um de nós.
Nesta dinâmica os cristãos reconhecem-se todos em Jesus Cristo,
constituindo o corpo eclesial do mesmo Cristo, estando uns com os outros
e todos nEle. A fé cristã tem consequências, redundando numa atitude,
num comportamento que permitirá, como diz Cristo, que todos reconheçam
que somos seus discípulos.
Referiu que
esta ligação a Deus tem de nascer na família, fruto duma autêntica
pastoral familiar, habilitando as crianças para o trabalho catequético
nas paróquias.
Porque a fé
se concentra em Jesus Cristo a nossa solidariedade para com os outros
tem de ter o sentido de Cristo. A caridade é, assim, a radicalidade da
solidariedade a partir da fé cristã – sermos uns com os outros e uns
para com os outros.
Referiu que os
grandes caritativos foram grandes adoradores de Deus. Só uma grande
relação com Deus pode levar à solidariedade. E tanto assim é que, quem
diz que ama a Deus e não ama os seus irmãos, é mentiroso. A preocupação
da primeira catequese deve ser a de criar ambiente de verdadeira relação
onde se possa apresentar Deus como amor. Jesus é uma vida, uma
convivência. Quem não ama não conhece a Deus. A Igreja é também um meio,
um ambiente, uma barca em que todos nós estamos, que serena, que acalma.
Ao evocar a Encíclica “Deus
é amor” comentou que é mais fácil criarmos o
nosso deus do que acolhermos a Deus “Eu sou”. Referindo-se à parábola do
Samaritano disse que Cristo, ao dar carne e sangue aos conceitos, aboliu
os limites geográficos ou sociais da proximidade, definindo que próximo
é aquele que precisa de nós e nós possamos ajudar. Deste modo o conceito
de próximo ficou universalizado, mas impõe-se que seja concretizado. A
proximidade tornou-se, portanto, activa.
Finalizou,
discernindo sobre os elementos constitutivos da caridade cristã eclesial
que passam por uma resposta imediata às necessidades, sem dependência de
partidos e ideologias, mas movida pelo coração que vê e actua e por um
amor gratuito que nada espera em troca.
Após o intervalo, o Prof. Eugénio da Fonseca,
Presidente da Caritas Nacional, abordou “Caridade
– A expressão da Fé”, tendo referido alguns
dos fundamentos da relação entre a fé e a caridade, com recurso a
diversas passagens bíblicas. Disse que crer é existir e que viver em
Cristo é viver Cristo, fazendo lembrar um contínuo subir ao monte do
encontro com Cristo para depois descer e ir ter com os irmãos.
Continuando, afirmou que, sendo a fé um dom livremente acolhido, ele é,
simultaneamente pessoal e comunitário, porque Deus é relação e a fé
aprofunda-se na relação, implicando um assumir de responsabilidade para
connosco e para com os outros, expressas em exemplos iluminados pela
palavra do Senhor.
São condições importantes para uma
caridade credível, disse, manter o dinamismo da fé professada,
celebrada, vivida e rezada; escutar e discernir a Boa Nova; frequentar
os sacramentos; actuar empenhada e directamente com os pobres e os
excluídos e não descurar a formação do coração.
Tendo
tecido considerações às várias ambiguidades por que tem passado a
prática da caridade, apontou os desafios que se colocam hoje à caridade
face às profundas e rápidas transformações de índole social e cultural,
que também se reflectem na vida religiosa, trazendo consigo não pequenas
dificuldades e impedindo muitas vezes o homem, que tanto anseia o poder,
de nem sempre ser capaz de o pôr ao serviço da humanidade.
Afirmou que
a caridade deve ser: a) libertadora para o beneficiário; b) assumida
pela comunidade eclesial e não ser fruto de iniciativa de alguns grupos
ou pessoas com “devoção” particular para esta missão; c) integradora
porque é indivisível o nexo entre o amor a Deus e ao próximo; d)
universal porque nasce do coração de Deus.
Sublinhou,
ao terminar, que a família é um espaço de comunhão, de participação e de
respeito, e, como tal, um meio privilegiado para a vivência e a
aprendizagem da caridade, onde o Evangelho é transmitido e donde o
Evangelho deve irradiar.
A partilha
do trabalho de grupos tornou-se enriquecedora pela demonstração de
alguns dos modos por que se traduz, concretamente na vida familiar e
social, uma fé cristã autêntica e se pode viver e testemunhar, na
prática, a caridade nos lares cristãos.
Depois do testemunho de uma família –
pais e 4 filhos – quanto à maneira como é vivida e alimentada a fé
cristã no contexto familiar, dois vicentinos falaram da Instituição e do
espírito que sustenta a prática da caridade nas mais diversas
circunstâncias do duro viver humano.
O P. Manuel
Mendes, Assistente do Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar, em
jeito de resumo e também de proposta pastoral, depois de relembrar que a
fé é relação, afirmou que fé e caridade são a razão de ser uma da outra
e que neste dinamismo da fé, onde é Deus é amor, o homem está antes de
Cristo e que será na oração e na eucaristia que encontraremos Deus.
Apontou
para a importância da comunidade, como espaço do compromisso, do
discernimento, da participação e do encontro, onde, conjuntamente, se
reflectem as situações de carência à luz da palavra de Cristo e se tomam
decisões. Considerou a família como lugar onde se aprende a fé e donde
se parte para testemunhar e apelou para um esforço no sentido da
educação para perseverança, tendo como objectivo final a meta que é
Jesus Cristo.
Feitos os
agradecimentos, encerrou a Jornada com uma breve oração.
O
Secretariado Diocesano da Pastoral Familiar
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