| |

D. António Francisco dos Santos
HOMILIA DA CEIA DO SENHOR - 2014
Irmãos e Irmãs,
1.Na tarde desta Quinta-Feira reunimo-nos na nossa Igreja Catedral,
trazidos pelo desejo de aprender o exemplo de Jesus e de cumprir este
imperativo do Mestre: "Dei-vos o exemplo, para que, assim como Eu fiz,
vós façais também"
(Jo
13, 15).
Também nós desejamos ardentemente, como Jesus, celebrar esta Ceia
pascal. É a Páscoa do Senhor que hoje se evoca, que hoje começa e que
hoje se renova em perene memorial da nova e eterna Aliança. Uma Aliança
firmada e enraizada na fidelidade do Povo de Israel, salvo da opressão
do Egito e conduzido à Terra da Promessa e da Liberdade.
Mas a Aliança nova, hoje celebrada, conduz-nos à plenitude da vida de
Cristo, por nós entregue, e do seu Sangue, por nós derramado. Hoje tem
pleno sentido e mais vivo significado a palavra de Jesus, dita aos seus
discípulos: "Fazei isto em memória de Mim". (1 Cor. 11, 24).
Este é, por excelência, o dia da Eucaristia, o dia do Sacerdócio e o dia
do Mandamento Novo que nasce da Eucaristia e de que os sacerdotes devem
ser infatigáveis mensageiros e exemplares servidores. A Igreja é chamada
a alimentar-se da Eucaristia para ser capaz de anunciar, celebrar e
testemunhar esta capacidade de um amor sem fronteiras nem limites, sem
cálculos nem medos.
2. No percurso histórico da vida da Igreja, atravessando épocas de
civilização tão diversificadas e momentos de cultura tão diferentes, é
na Eucaristia que a Igreja diariamente se edifica, se alimenta e se
congrega, para que se torne fonte de vida para os crentes, sinal de
salvação para o mundo e alimento de pão partilhado com os pobres e de
esperança multiplicada com os que sofrem.
Convido os sacerdotes, diáconos, consagrados(as), leigos e leigas de
toda a Diocese a lermos e a aprofundarmos em sede de grupos e movimentos
apostólicos e nos percursos das nossas Comunidades cristãs a Exortação
Apostólica do Papa Francisco "Alegria do Evangelho".
O magistério da Igreja deve ser sempre fonte de sabedoria e de santidade
a iluminar a inteligência dos crentes, a orientar o sentido da vida das
comunidades e a estabelecer pontes de diálogo entre a fé e a cultura,
entre a Igreja e a Sociedade, particularmente nestes tempos difíceis
para muitos dos nossos irmãos.
3.A missão da Igreja consiste essencialmente nisto: anunciar a alegria
do evangelho ao mundo, faminto de verdade, à procura de caminhos de
liberdade e tantas vezes em desencontros múltiplos com a vida e celebrar
os mistérios sagrados da nossa fé, de que a Eucaristia é o centro e o
vértice. A Eucaristia dá-nos Cristo: "caminho da verdade e da vida" (S.
Agostinho).
Como podem os cristãos evangelizar o mundo se não lhe oferecem Cristo,
como alimento da verdade e da vida?
Como pode a Igreja ser sacramento de amor celebrado na Eucaristia se não
alimentar nos cristãos o amor pelos sacramentos em procura assídua e em
vivência espiritual aprofundada?
A Páscoa antiga passou. Já não há necessidade do cordeiro imolado. Ele
era apenas figura da nova e eterna aliança, realizada em Cristo e
celebrada em cada Eucaristia. "Cristo é o verdadeiro Cordeiro pascal,
Cordeiro de Deus que tira o pecado do mundo" .
4. Como podem as famílias cristãs crescer na fé sem a Eucaristia? Como
podem as nossas Comunidades ajudar as famílias e os seus filhos a
consolidarem um verdadeiro itinerário catequético de iniciação cristã se
as famílias não
acompanham as crianças nesta experiência comum da participação da
Eucaristia?
Receber o Batismo, a Confirmação e abeirar-se pela primeira vez da
Eucaristia são momentos decisivos não só para a pessoa mas também para
toda a sua família.
A família - igreja doméstica - é um âmbito primeiro da vida da Igreja,
especialmente pelo papel decisivo que tem na educação dos filhos.
A Eucaristia é verdadeiro pão repartido para a vida do mundo, alimento
da verdade e resposta a tantas procuras e carências da Humanidade. A
Eucaristia é alimento de uma vida nova, mas pressupõe, também, a
vivência da novidade
da vida iniciada em nós pelo batismo.
5. "Dou-vos um mandamento novo: amai-vos uns aos outros como eu vos
amei" (Jo 15, 12), disse Jesus aos discípulos reunidos no Cenáculo,
nesse momento sublime de maior confidência antes da hora da paixão, da
condenação e da morte.
Uma das formas mais benéficas e preciosas da Igreja cumprir este
mandamento e de viver hoje a pedagogia do serviço de que o lava - pés é
exemplo emblemático, consiste em proporcionar com renovado e infatigável
empenho aos crentes batizados o gosto, o encanto e a beleza da
Eucaristia. Consiste em ajudar a sociedade e o mundo a descobrir o
imenso e insubstituível contributo que a Eucaristia oferece à celebração
da fé na Comunidade, à partilha fraterna dos bens, à atenção solidária
com os pobres, à compaixão com os que sofrem, à construção da paz social
e da comunhão humana, sem distinções nem descriminações de raças, de
culturas ou de povos.
É urgente para os cristãos reencontrar o caminho da Eucaristia e do
Cenáculo. A Eucaristia, sacramento do amor de Deus, é sempre a fonte e o
início da vida e da missão da Igreja e por aí passa o caminho da
justiça, do perdão e da paz para o mundo.
Que Nossa Senhora, Mãe da Igreja, que acolheu incondicionalmente o dom
de Deus e desta forma ficou associada à obra da salvação nos ajude a
saber acolher a doação que Jesus fez de Si mesmo na Eucaristia. Ámen.
Porto, Igreja Catedral 17 de Abril de 2014
António, Bispo do Porto
|