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D. António Francisco dos Santos
HOMILIA DA VIGÍLIA PASCAL - 2014
1. Vivemos esta Vigília Pascal como a maior e a mais bela de todas as
vigílias da liturgia da Igreja.
É com júbilo que celebramos nesta Vigília o anúncio feliz e festivo da
ressurreição do Senhor nesta Igreja Catedral do Porto, em comunhão com
todas as Comunidades da nossa Diocese. Sentimo-nos envolvidos pela
alegria da
ressurreição de Jesus e estamos reconhecidos a todos quantos, ao longo
da vida e da história do Porto, edificaram a cidade de Deus na cidade
dos homens que hoje somos e trouxeram até nós esta afirmação fundamental
da nossa fé e esta certeza inabalável da ressurreição de Jesus.
A beleza e a dignidade da liturgia, o significado do lume novo, o
cântico do precónio pascal, a proclamação da Palavra de Deus, a bênção
da água baptismal, a Ceia Pascal e o anúncio festivo da ressurreição de
Jesus, Filho de Deus criam à nossa volta e instauram no mundo um
ambiente de alegria, de esperança e de vida.
Celebramos a passagem de Cristo da morte para a vida. Jesus venceu a
morte e redimiu-nos do pecado. Esta é, por isso, a festa da Vida!
Sempre que uma vida nasce há razão para celebrarmos a surpresa e a
bênção do dom do amor de Deus, que essa vida significa. Sempre que uma
vida ressurge e se recompõe pelo mistério da graça, da reconciliação e
da paz há uma nova e
acrescida oportunidade para dar louvor a Deus que salva, que liberta e
que redime.
Mas, só à luz da ressurreição de Cristo compreenderemos o valor da vida
que nasce e o sentido da missão ao serviço das pessoas, das famílias e
dos povos que se reconciliam com Deus e querem viver a alegria da
Páscoa.
Jesus Cristo é a cabeça de uma nova Humanidade, modelo e paradigma de
quanto a comunidade dos crentes tem por missão realizar no coração das
pessoas e da Sociedade. A Igreja encontra em Cristo, vivo e
ressuscitado, a sua origem, a sua razão de ser e o sentido da sua
presença viva e vivificante no meio do mundo.
2. Como cristãos, somos chamados a ser sinal de Cristo ressuscitado e
testemunhas da ressurreição na vida e na acção das comunidades cristãs.
Ao longo de cinquenta dias de tempo pascal é a Páscoa vivida e celebrada
que sobressai e é Cristo ressuscitado que actua significativamente
através da vida dos cristãos e da acção pastoral de toda a Igreja.
É este um tempo particularmente belo e denso a dizer-nos que as
comunidades paroquiais, os movimentos apostólicos e os serviços
pastorais devem inscrever no seu íntimo e na sua missão esta identidade
e esta pertença pascal que nos impelem a sermos verdadeiros servidores
da vida e felizes mensageiros da alegria da Páscoa.
O espírito pascal estende-se, também, a todos os homens e mulheres de
boa vontade que muitas vezes, mesmo sem terem uma plena consciência
crente ou uma afirmada prática cristã, são nas suas vidas e profissões
verdadeiros
servidores da vida e generosos construtores do bem comum.
A certeza da ressurreição significada no Círio Pascal, sinal de Cristo,
luz do mundo, ilumina de uma luz nova a vida dos discípulos de Jesus e
traz ao mundo a alegria pascal, capaz de contagiar os que vivem
connosco.
Cristo ressuscitou, está vivo! Somos testemunhas da ressurreição, a
exemplo dos discípulos e das mulheres que viram primeiro o sepulcro
vazio. Reconhecemo-Lo ao partir do pão, como os discípulos de Emaús.
Acreditamos sem termos visto, segundo a expressão de Jesus a Tomé.
A fé pascal dos cristãos é este encontro com Cristo ressuscitado que
envia a Igreja a comunicar esta certeza de vida e este sentido de
alegria pascal a todos os lugares e em todos os tempos. Esta é a festa
da Igreja!
3. Façamos do tempo pascal uma viagem de fé e de missão em visita e em
anúncio que leve, com vigor, encanto e entusiasmo, a alegria do
evangelho e o anúncio da ressurreição de Jesus a todas as pessoas,
terras e culturas deste espaço diocesano da Igreja do Porto.
O anúncio da Páscoa não se pode fechar nos espaços interiores das nossas
igrejas. O tempo pascal, intenso e prolongado, é de si inspirador e
mobilizador de iniciativas que podem ser uma oportunidade evangelizadora
de
abertura da Igreja ao mundo e de acolhimento fraterno de tantos que, a
partir destes momentos e por ocasião das mais diversificadas celebrações
festivas, tão frequentes neste tempo, se abrem a Cristo e se aproximam
da Igreja. Esta é a festa da missão!
4. Confio-vos, irmãos e irmãs, esta particular e urgente missão que
consiste em anunciar a alegria da Páscoa. Recorro às palavras do Papa
Francisco na Exortação Apostólica "A alegria do Evangelho" que nos diz
que "Cristo ressuscitado e glorioso é a fonte profunda da nossa
esperança. A ressurreição de Cristo não é algo do passado. A
ressurreição contém uma força de vida que penetrou o mundo. Onde parecia
que tudo morreu, voltam a aparecer por todo o lado rebentos de
ressurreição...Cada dia, no mundo, renasce a beleza, que ressuscita
transformada, através dos dramas da história... Esta é a força da
ressurreição, e cada evangelizador é um instrumento deste dinamismo e
mensageiro desta alegria" (EG 275-276).
5.Vós, irmãos e irmãs, sois exemplo deste caminho pascal e protagonistas
desta missão, que agora e aqui começam. Convosco quero percorrer os
caminhos da nossa Diocese e desejar a todos diocesanos do Porto uma
santa e feliz
Páscoa!
Penso, com acrescido afecto, nos que mais sofrem, feridos pelas
dificuldades próprias de quem não tem alegria, esperança, liberdade,
trabalho, casa ou pão. Para eles, a Páscoa só terá sentido se à certeza
da ressurreição de
Cristo juntarmos a solicitude solidária e o amor perene dos cristãos. É
essa a nossa missão e é esse o nosso dever.
Uma santa Páscoa. Aleluia, Aleluia!
Igreja Catedral do Porto, 19 de abril de 2014
António, Bispo do Porto
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